Valéria Di Pietro

Janeiro 7, 2008

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Mario Benedetti

Mario Benedetti nasceu em Paso de los Toros (Departamento de Tacuarembó) Uruguai, em 14 de setembro de 1920. A família mudou-se para Montevidéu quando ele tinha 4 anos, cidade em que passou toda a sua vida, excluindo-se um longo exílio de 12 anos (vividos na Argentina, Peru, Cuba e Espanha).

Às vésperas de completar 80 anos, Benedetti, autor de mais de 60 livros (romances, novelas, teatro, ensaios e poesia), traduzidos em mais de 20 idiomas, é considerado um dos grandes nomes da literatura hispânica da atualidade, com uma bagagem considerável de prêmios mas, inexplicavelmente, ainda muito pouco lido e traduzido entre nós. Com exceção de alguns poucos romances publicados no Brasil, a sua poesia só veio a ser editada em livro no Brasil em 1988 (Antologia Poética, tradução de Julio Luís Gehlen, Editora Record). Ele próprio, considera-se antes de tudo um poeta, gênero onde, seguramente, realiza a sua melhor escritura. O poema “Esse Grande Simulacro” faz parte do volume “El olvido está lleno de memoria”, de 1994, no qual, o poeta mantém a fidelidade ao coloquialismo antilírico, uma linha já apontada no seu primeiro livro de poesia, “Poemas de la oficina”, de 1956, acrescida, agora, de uma surpreendente elegância lingüística.

ESE GRAN SIMULACRO
Mario Benedetti

Cada vez que nos dan clases de amnesia
como si nunca hubieran existido
los combustibles ojos del alma
o los labios de la pena huérfana
cada vez que nos dan clases de amnesia
y nos conminan a borrar
la ebriedad del sufrimiento
me convenzo de que mi región
no es la farándula de otros

en mi región hay calvarios de ausencia
muñones de porvenir / arrabales de duelo
pero también candores de mosqueta
pianos que arrancan lágrimas
cadáveres que miran aún desde sus huertos
nostalgias inmóviles en um pozo de otoño
sentimientos insoportablemente actuales
que se niegan a morir allá en lo oscuro

el olvido está tan lleno de memoria
que a veces no caben las remembranzas
y hay que tirar rencores por la borda
en el fondo el olvido es un gran simulacro
nadie sabe ni puede / aunque quiera / olvidar
un gran simulacro repleto de fantasmas
esos romeros que peregrinan por el olvido
como si fuese el camino de santiago

el día o la noche en que el olvido estalle
salte en pedazos o crepite /
los recuerdos atroces y los de maravilla
quebrarán los barrotes de fuego
arrastrarán por fin la verdad por el mundo
y esa verdad será que no hay olvido

ESSE GRANDE SIMULACRO

Cada vez que nos dão lições de amnésia
como se nunca houvesse existido
os ardentes olhos da alma
ou os lábios da pena órfã
cada vez que nos dão aulas de amnésia
e nos obrigam a apagar
a embriaguez do sofrimento
convenço-me de que meu território
não é a ribalta de outros

Em meu território há martírios de ausência
resíduos de sucessos / subúrbios enlutados
mas também singelezas de rosa
pianos que arrancam lágrimas
cadáveres que ainda olham de seus hortos
lembranças imóveis em um poço de colheitas
sentimentos insuportavelmente atuais
que se negam a morrer no escuro

O esquecimento está tão cheio de memória
que às vezes não cabem as lembranças
e rancores precisam ser jogados pela borda
no fundo o esquecimento é um grande simulacro
ninguém sabe nem pode / ainda que queira / esquecer
um grande simulacro abarrotado de fantasmas
esses romeiros que peregrinam pelo esquecimento
como se fosse o caminho de santiago

o dia ou a noite em que o esquecimento estale
exploda em pedaços ou crepite /
as lembranças atrozes e as de maravilhamento
quebrarão as trancas de fogo
arrastarão afinal a verdade pelo mundo
e essa verdade será a de que não há esquecimento

 


AH LAS PRIMICIAS

Ah las primicias / cómo envejecieron
cómo el azar se convirtió en castigo
cómo el futuro se vació de humildes
cómo los premios cosecharon premios
cómo desamoraron los amores
cómo la hazaña terminó en sospecha
e los oráculos enmudecieron

todo se hunde en la niebla del olvido
pero cuando la niebla se despeja
el olvido está lleno de memoria


AH AS PRIMÍCIAS

Ah as primícias / como envelheceram
como o azar se converteu em castigo
como o futuro se esvaziou de pobres
como os prêmios colheram prêmios
como desamoraram os amores
como a façanha terminou em suspeita
e os oráculos emudeceram

tudo afunda na névoa do esquecimento
porém quando essa névoa se dissipa
o esquecimento está cheio de memória

(texto e poemas traduzidos publicados na revista literária A Cigarra no. 35, junho 2000, Santo André, SP)

Arquivado em: OS POETAS, Uncategorized — Valeria Di Pietro @ 7:38 am

lo pior del eco
es que dice las mismas
barbaridades
o pior do eco
é dizer as mesmas
barbaridades
las plantas oyen
si uno las linsonjea
se hincham de verde
as plantas olham
se alguém as lisonjeia
incham-se de verde
drama cromático
el verde es un color
que no madura
drama cromático
o verde é uma cor
que não amadurece
en la laguna
el agua es un espejo
sin exigências
na lagoa
a água é um espelho
sem exigências
los grilos rezan
mas são orações
iconoclastas
os grilos rezam
mas são orações
iconoclastas
EL MAR VIENE DEL MAR El mar viene del mar
muere naciendo
simulacro de dios
baba del cielo
viene del mar el mar
mar de sí mismo
desierto sin memoria
y sin olvido
el mar se lleva el mar
pero en la noche
las resacas no vuelven
al horizonte
O MAR VEM DO MAR O mar vem do mar
morre nascendo
simulacro de deus
baba do céu
vem do mar o mar
mar de si mesmo
deserto sem memória
e sem esquecimento
o mar chega ao mar
mas à noite
as ressacas não retornam
para o horizonte
SOBREVIVENTES Cuando en un accidente
una explosión
un terremoto
un atentado
se salvan cuatro o cinco
creemos
insensatos
que derrotamos a la muerte
pero la muerte nunca
se impacienta
seguramente porque
sabe mejor que nadie
que los sobrevivientes
también mueren
SOBREVIVENTES Quando em um acidente
uma explosão
um terremoto
um atentado
salvam-se quatro ou cinco
cremos
insensatos
que derrotamos a morte
mas a morte nunca
se impacienta
pois, com certeza
sabe melhor do que ninguém
que os sobreviventes
também morrem
VARACIONES SOBRE UN TEMA DE HERÁCLITO No sólo el río es irrepetible
tampoco se repiten
la lluvia el fuego el viento
las dunas el crepúsculo
no sólo el río
sugirió el fulano
por lo tanto
nadie puede
mengana
contemplarse dos veces
en tus ojos
VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE HERÁCLITO Não é só o rio que não se repete
tampouco se repetem
a chuva o fogo o vento
as dunas o crepúsculo
não é só o rio
sugeriu o fulano
portanto
nada pode
beltrana
ser contemplado duas vezes
em teus olhos
conforme truena
los oídos del bosque
se cubren de hojas
conforme troveja
os ouvidos do bosque
cobrem-se de folhas
cuando era niño
las canciones de cuna
me desvelaban
quando era criança
as canções de ninar
me acordavam
el preso sueña
algo que siempre tiene
forma de llave
o preso sonha
algo que sempre tem
forma de chave
sólo los náufragos
valoran com justicia
la natación
apenas os náufragos
valorizam com justiça
a natação
el zángano es
el seguro de vida
de la colmena
o zangão é
o seguro de vida
da colméia
SUELTA DE PALOMAS
Soltar una paloma
no siempre es algo fácil
de imaginar
la paloma es la clave
de tantos sueños
artesanales
si uno dice paloma
piensa espíritu santo
piensa paz
por eso
soltar una paloma
es siempre algo difícil
de imaginar
quizá exista una sola
manera de lograrlo
soltar realmente
una paloma
LIBERTAÇÃO DAS POMBAS
Soltar uma pomba
nem sempre é algo fácil
de imaginar
a pomba é a chave
de tantos sonhos
artesanais
se alguém diz pomba
pensa espírito santo
pensa paz
por isso
soltar uma pomba
é sempre algo difícil
de imaginar
quiçá exista apenas
uma maneira de fazê-lo
soltar realmente
uma pomba
TEORÍA DE CONJUNTOS
Cada cuerpo tiene
su armonía y
su desarmonía
en algunos casos
la suma de armonías
pude ser casi
empalagosa
en otros
el conjunto
de desarmonías
produce algo mejor
que la belleza
TEORIA DOS CONJUNTOS
Cada corpo tem
sua harmonia e
sua desarmonia
em alguns casos
a soma das harmonias
pode ser quase
enjoativa
em outros
o conjunto
de desarmonias
produz algo melhor
do que a beleza
BOTELLA AL MAR
El mar un azar
VICENTE HUIDOBRO
Pongo estos seis versos en mi botella al mar
con el secreto designio de que algún día
llegue a una playa casi desierta
y un niño la encuentre y la destape
y en lugar de versos extraiga piedritas
y socorros y alertas y caracoles.
GARRAFA AO MAR
O mar um acaso
VICENTE HUIDOBRO
Ponho estes seis versos em minha garrafa ao mar
com o desígnio secreto de que algum dia
chegue a uma praia quase deserta
e uma criança a encontre e a destampe
e no lugar de versos extraia pedrinhas
e socorros e alertas e caracóis.

Cantando al sol…

Arquivado em: OS POETAS — Valeria Di Pietro @ 7:33 am
Tantas veces me mataron, tantas veces me morí,
sin
embargo estoy aquí resucitando
Gracias doy a la desgracia y a la
mano con puñal
porque me mató tan mal y seguí cantando

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra

Tantas veces me borraron, tantas desaparecí
a
mi propio entierro fui solo y llorando
Hice un nudo en el pañuelo pero
me olvidé después

que no era la única vez y seguí cantando

Cantando al sol

Tantas veces te mataron, tantas resucitarás
cuántas noches pasarás desesperando
Y a la
hora del naufragio y la de la oscuridad
alguien
te rescatará para ir cantando

Cantando al sol

Como La Cigarra
Pedro Aznar

Mario Benedetti

Arquivado em: OS POETAS — Valeria Di Pietro @ 7:28 am
Chau número tres
Te dejo con tu vida
tu trabajo
tu gente
con tus puestas de sol
y tus amaneceres.
 
Sembrando tu confianza
te dejo junto al mundo
derrotando imposibles
segura sin seguro.
 
Te dejo frente al mar
descifrándote sola
sin mi pregunta a ciegas
sin mi respuesta rota.
 
Te dejo sin mis dudas
pobres y malheridas
sin mis inmadureces
sin mi veteranía.
 
Pero tampoco creas
a pie juntillas todo
no creas nunca creas
este falso abandono.
 
Estaré donde menos
lo esperes
por ejemplo
en un árbol añoso
de oscuros cabeceos.
 
Estaré en un lejano
horizonte sin horas
en la huella del tacto
en tu sombra y mi sombra.
 
Estaré repartido
en cuatro o cinco pibes
de esos que vos mirás
y enseguida te siguen.
 
Y ojalá pueda estar
de tu sueño en la red
esperando tus ojos
y mirándote.
 
Corazón coraza
Porque te tengo y no
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza
 
porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero
si no te miro amor
si no te miro
 
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.
 
Estados de ánimo
                                         A veces me siento
                                         como un águila en el aire.
                                                             -Pablo Milanés
 
Unas veces me siento
como pobre colina
y otras como montaña
de cumbres repetidas.
 
Unas veces me siento
como un acantilado
y en otras como un cielo
azul pero lejano.
 
A veces uno es
manantial entre rocas
y otras veces un árbol
con las últimas hojas.
Pero hoy me siento apenas
como laguna insomne
con un embarcadero
ya sin embarcaciones
una laguna verde
inmóvil y paciente
conforme con sus algas
sus musgos y sus peces,
sereno en mi confianza
confiando en que una tarde
te acerques y te mires,
te mires al mirarme.
 
Hagamos un trato
                                         Cuando sientas tu herida sangrar
                                         cuando sientas tu voz sollozar
                                         cuenta conmigo.
 
                                         (de una canción de Carlos Puebla)
 
Compañera,
usted sabe
que puede contar conmigo,
no hasta dos ni hasta diez
sino contar conmigo.
 
Si algunas veces
advierte
que la miro a los ojos,
y una veta de amor
reconoce en los míos,
no alerte sus fusiles
ni piense que deliro;
a pesar de la veta,
o tal vez porque existe,
usted puede contar
conmigo.
 
Si otras veces
me encuentra
huraño sin motivo,
no piense que es flojera
igual puede contar conmigo.
 
Pero hagamos un trato:
yo quisiera contar con usted,
es tan lindo
saber que usted existe,
uno se siente vivo;
y cuando digo esto
quiero decir contar
aunque sea hasta dos,
aunque sea hasta cinco.
 
No ya para que acuda
presurosa en mi auxilio,
sino para saber
a ciencia cierta
que usted sabe que puede
contar conmigo.
 
Lovers go home!
Ahora que empecé el día
volviendo a tu mirada,
y me encontraste bien
y te encontré más linda.
 
Ahora que por fin
está bastante claro
dónde estás y dónde estoy.
 
Sé por primera vez
que tendré fuerzas
para construir contigo
una amistad tan piola,
que del vecino
territorio del amor,
ese desesperado,
empezarán a mirarnos
con envidia,
y acabarán organizando
excursiones
para venir a preguntarnos
cómo hicimos.
 
Pasatiempo
Cuando éramos niños
los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.
 
Luego cuando muchachos
los viejos eran gente de cuarenta
un estanque un océano
la muerte solamente
una palabra.
 
Ya cuando nos casamos
los ancianos estaban en cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.
 
Ahora veteranos
ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.
 
Rostro de vos
Tengo una soledad
tan concurrida
tan llena de nostalgias
y de rostros de vos
de adioses hace tiempo
y besos bienvenidos
de primeras de cambio
y de último vagón.
 
Tengo una soledad
tan concurrida
que puedo organizarla
como una procesión
por colores
tamaños
y promesas
por época
por tacto
y por sabor.
 
Sin temblor de más
me abrazo a tus ausencias
que asisten y me asisten
con mi rostro de vos.
 
Estoy lleno de sombras
de noches y deseos
de risas y de alguna
maldición.
 
Mis huéspedes concurren
concurren como sueños
con sus rencores nuevos
su falta de candor
yo les pongo una escoba
tras la puerta
porque quiero estar solo
con mi rostro de vos.
 
Pero el rostro de vos
mira a otra parte
con sus ojos de amor
que ya no aman
como víveres
que buscan su hambre
miran y miran
y apagan mi jornada.
 
Las paredes se van
queda la noche
las nostalgias se van
no queda nada.
 
Ya mi rostro de vos
cierra los ojos
y es una soledad
tan desolada.
 
Si Dios fuera una mujer
                                         ¿y si Dios fuera una mujer?
                                                                                 -Juan Gelman
 
¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,
vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas.
 
Tal vez nos acercáramos a su divina desnudez
para besar sus pies no de bronce,
su pubis no de piedra,
sus pechos no de mármol,
sus labios no de yeso.
 
Si Dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos SIDA o pánico
nos contagiaría su inmortalidad.
 
Si Dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos,
sino que nos aguardaría en el zaguán del infierno,
con sus brazos no cerrados,
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles.
 
Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia.
 
Síndrome
Todavía tengo casi todos mis dientes
casi todos mis cabellos y poquísimas canas
puedo hacer y deshacer el amor
trepar una escalera de dos en dos
y correr cuarenta metros detrás del ómnibus
o sea que no debería sentirme viejo
pero el grave problema es que antes
no me fijaba en estos detalles.
 
Táctica y estrategia
Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos.
 
Mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible.
 
Mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos.
 
Mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos
 
no haya telón
ni abismos.
 
Mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple.
 
Mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.
 
Te quiero
Tus manos son mi caricia,
mis acordes cotidianos;
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia.
 
Si te quiero es porque sos
mi amor, mi cómplice, y todo.
Y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.
 
Tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada;
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro.
 
Tu boca que es tuya y mía,
Tu boca no se equivoca;
te quiero por que tu boca
sabe gritar rebeldía.
 
Si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo.
Y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.
 
Y por tu rostro sincero.
Y tu paso vagabundo.
Y tu llanto por el mundo.
Porque sos pueblo te quiero.
 
Y porque amor no es aurora,
ni cándida moraleja,
y porque somos pareja
que sabe que no está sola.
 
Te quiero en mi paraíso;
es decir, que en mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permiso.
 
Si te quiero es por que sos
mi amor, mi cómplice y todo.
Y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.
 
Una mujer desnuda y en lo oscuro
Una mujer desnuda y en lo oscuro
tiene una claridad que nos alumbra
de modo que si ocurre un desconsuelo
un apagón o una noche sin luna
es conveniente y hasta imprescindible
tener a mano una mujer desnuda.
 
Una mujer desnuda y en lo oscuro
genera un resplandor que da confianza
entonces dominguea el almanaque
vibran en su rincón las telarañas
y los ojos felices y felinos
miran y de mirar nunca se cansan.
 
Una mujer desnuda y en lo oscuro
es una vocación para las manos
para los labios es casi un destino
y para el corazón un despilfarro
una mujer desnuda es un enigma
y siempre es una fiesta descifrarlo.
 
Una mujer desnuda y en lo oscuro
genera una luz propia y nos enciende
el cielo raso se convierte en cielo
y es una gloria no ser inocente
una mujer querida o vislumbrada
desbarata por una vez la muerte.
 
Ustedes y nosotros
Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial,
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.
 
Ustedes cuando aman
calculan interés
y cuando se desaman
calculan otra vez,
nosotros cuando amamos
es como renacer
y si nos desamamos
no la pasamos bien.
 
Ustedes cuando aman
son de otra magnitud
hay fotos chismes prensa
y el amor es un boom,
nosotros cuando amamos
es un amor común
tan simple y tan sabroso
como tener salud.
 
Ustedes cuando aman
consultan el reloj
porque el tiempo que pierden
vale medio millón,
nosotros cuando amamos
sin prisa y con fervor
gozamos y nos sale
barata la función.
Ustedes cuando aman
al analista van
él es quien dictamina
si lo hacen bien o mal,
nosotros cuando amamos
sin tanta cortedad
el subconsciente piola
se pone a disfrutar.
Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial,
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.
 
Viceversa
Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.
 

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