Valéria Di Pietro

Julho 31, 2007

OLVÍDIO – AS METAMORFOSES

Arquivado em: FILOSOFANDO — Valeria Di Pietro @ 3:17 pm

kinkas.jpgNão há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um movimento contínuo, como um rio… O que foi antes já não é, o que não tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do fim, caminhar para o dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da noite… Não vês as estações do ano se sucederem, imitando as idades de nossa vida? Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova… A planta nova, pouco vigorosa, rebenta em brotos e enche de esperança o agricultor. Tudo floresce. O fértil campo resplandece com o colorido das flores, mas ainda falta vigor às folhas. Entra, então, a quadra mais forte e vigorosa, o verão: é a robusta mocidade, fecunda e ardente. Chega, por sua vez, o outono: passou o fervor da mocidade, é a quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho; as têmporas embranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é o velho trôpego, cujos cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão brancos como a neve dos caminhos. Também nossos corpos mudam sempre e sem descanso… E também a Natureza não descansa e, renovadora, encontra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados… Todos os seres têm sua origem noutros seres. Existe uma ave a que os fenícios dão o nome de fênix. Não se alimenta de grãos ou ervas, mas das lágrimas do incenso e do suco da amônia. Quando completa cinco séculos de vida, constrói um ninho no alto de uma grande palmeira, feito de folhas de canela, do aromático nardo e da mirra avermelhada. Ali se acomoda e termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce uma pequena fênix, que viverá outros cinco séculos… Assim também é a Natureza e tudo o que nela existe e persiste.

o poeta grego Arquíloco escreveu:

E não te esqueças, meu coração,
que as coisas humanas apenas

mudanças incertas
são.

 

Julho 28, 2007

LEIS DA DIALÉTICA

Arquivado em: FILOSOFANDO — Valeria Di Pietro @ 9:13 am

1. A Mudança Dialética.
I – O Movimento Dialético.
II – Para a dialética não existe nada de definitivo…
III – O Processo.

2. A Ação Recíproca.
I – O encadeamento de processos
II – O desenvolvimento Histórico ou em espiral.

3. A Contradição.
I As coisas se transformam na sua contraria.
II – afirmação, negação e negação da negação.
III – A unidade das Contrarias.

4. Transformação da quantidade em qualidade.
I – A argumentação política
II – A argumentação cientifica

Primeira lei: A mudança dialética.

A primeira lei da dialética começa por contatar que nada fica onde está nada permanece o que é.

I – O Movimento Dialético.

Quem diz dialética diz movimento, mudança. Para ter um estudo dialético devemos nos colocar no ponto de vista dialético, ou seja, no movimento na mudança.
Eis uma maçã. Temos dois modos de estudá-la: Do ponto de vista metafísico e do dialético.
Os metafísicos descreverão o fruto: Sua forma, cor, peso, tamanho… falarão de seu gosto etc…depois pode se comparar à maçã com a pêra, ver suas semelhanças s diferenças e por fim concluir uma maçã é uma maçã e uma pêra é uma pêra.
Se quisermos estudar a maça dialeticamente, estudamo-la no movimento; não no movimento da maçã que rola e cai, mas o movimento de sua evolução.
Devemos constatar que a maçã madura não foi sempre uma maçã madura, antes era uma maçã verde, que já fora uma flor, que foi um botão; e assim chegaremos até a macieira o broto, a semente…. vimos que a maçã não foi sempre uma maçã, nem permanecerá o que é. Se cair da macieira ira apodrecer, se decompor, libertará as sementes que se tudo correr bem dará um rebento, depois uma árvore. Portanto a maçã não foi e também não ficará sempre o que é.

II – Para a dialética não existe nada de definitivo…

Para a dialética, não existe nada de definitivo, de absoluto, de sagrado; apresenta a *caducidade de todas as coisas e em todas as coisas, e, para ela, nada existe alem do processo ininterrupto do devir e do transitório.
Para a dialética não existe nada de definitivo. Para a dialética tudo tem um passado e terá um futuro; que por conseguinte, nada é de uma vez para sempre, e o que é hoje não é definido. (exemplo da maçã)
Para a dialética, não existe nenhum poder no mundo nem para alem dele que possa fixar as coisas num estado definitivo, portanto Nada de absoluto. (Absoluto significa: Que não está submetido a qualquer condição; portanto, universal, eterno, perfeito.)
Nada de sagrado, isto não quer dizer que a dialética despreze tudo. Não! Uma coisa sagrada é aquela que se considera imutável, que não se deve tocar nem discutir, mas só venerar. A sociedade capitalista é sagrada por exemplo. A dialética diz que nada escapa ao movimento, à mudança, às transformações da historia.
*Caducidade vem de caduco, que significa que cai; uma coisa caduca é a que envelhece e deve desaparecer. Para a dialética o que está caduco já não tem razão de ser. O que é jovem torna-se velho, o que hoje tem vida morre amanha. Portanto para a dialética nada é eterno, salvo a mudança. É considerar que nenhuma coisa particular pode ser eterna, senão o devir.

Mas o que é o devir?

Vimos a historia da maçã. Vejamos agora o lápis que também tem sua historia.
O lápis hoje usado, já foi novo. A madeira da qual o lápis foi feito saiu de uma prancha, e esta de uma arvore. A maçã e o lápis têm cada um a sua historia, e não foram sempre o que são. Mas há uma diferença entre essas duas historias!
A maça verde tornou-se madura. Podia, se tudo corresse bem, não se tornar madura? Não, Devia amadurecer, cair a terra, apodrecer, se decompor e libertar as sementes.
Enquanto a arvore de que vem o lápis pode não se tornar prancha, e esta não se tornar lápis. E este pode, ele próprio não ser afiado.
No caso da maçã uma fase sucede à outra, e inevitavelmente uma outra fase se dará (se nada interromper a evolução).
Já na historia do lápis uma fase pode não seguir a outra, se a historia do lápis percorre todas as fases é por uma intervenção estranha – a do homem.
A maçã possui em seu processo fases que se sucedem, a segunda que deriva da primeira, etc…ela segue o devir. No lápis as fases justapõem-se, sem resultar uma da outra. É que a maçã tem processo natural.

III – O Processo.

Palavra que vem do latim, e quer dizer marcha em frente, ou ato de avançar, de progredir.
Por que é que a maçã sendo verde se torna madura?
Quando examinamos a flor que se tornará maçã, a maçã verde que se tornará madura, constatamos que os encadeamentos que impelem a maçã na sua evolução atuam sob o domínio de forças internas a que chamamos: autodinamismo, que significa: força que vem do próprio ser.
Quando o lápis era ainda prancha , foi preciso a intervenção do homem para torná-lo lápis, por que nunca a prancha se transformaria sozinha em lápis.
Não houve autodinamismo, portanto quem diz dialética não diz só movimento, mas também autodinamismo.
Podemos constatar que nem todo movimento é dialético. Se tomarmos novamente o exemplo do lápis a prancha torna-se lápis certamente houve a mudança, mas será ela dialética?
Não, sem o homem a arvore não seria cortada e essa não seria transformada em prancha que por sua vez não viria a ser um lápis. Essa mudança não é dialética, mas, mecânica.

Segunda lei a ação recíproca

I – O encadeamento de processos

Vimos na historia da maçã o que é um processo. Retomemos esse exemplo. Nossas pesquisas devem nos levar até a árvore. Mas, pomos o problema de pesquisa também para esta. De onde ela vem? Da maçã. Da maçã que caiu, apodreceu, liberou as sementes, e isto nos leva a estudar as condições do solo, as influencias do sol, do ar, etc… Partindo do processo da maçã somos conduzidos ao exame do solo, passando do processo da maçã ao da árvore; este processo encadeia-se , por sua vez no do solo. Temos o que se chama: Um ,encadeamento de processos, Isto vai nos permitir estudar a segunda lei da dialética: a lei da ação recíproca.
Tomemos agora o teatro épico como exemplo. Se estudarmos do ponto de vista dialético procuraremos de onde vem, e teremos a resposta inicial: que é uma forma de teatro desenvolvida por Bertold Brecht, que se opõe à ilusão cênica da forma dramática convencional. Seu cunho é narrativo e didático e utiliza uma serie de recursos teatrais para levar o espectador a refletir. Teremos então outra pergunta; quem foi Brecht? Teremos outra resposta que pode ser simples: Poeta e dramaturgo alemão, nascido em Augsburg, em 1898 fez-se, através de seus textos, o grande inimigo do nazismo. Seus objetivos principais resumiam-se no operariado, do qual era fanático protetor. Por que era protetor do operariado? Por que era marxista. Então de onde vem o marxismo?
Vemos pois que a pesquisa do encadeamento de processos nos conduz a estudos minuciosos e completos. Mais ainda: indagando de onde vem o marxismo, seremos levados a constatar que essa doutrina é a própria consciência do proletário, vemos pois que o proletário existe; chegamos novamente ao operariado de que nos referimos ao falar de Brecht poremos então a pergunta: de onde vem o proletariado?
Sabemos que veio de um sistema econômico: o capitalismo. Sabemos da divisão da sociedade em classes vem de um processo que já estudamos. Portanto de processo em processo, chegamos ao exame das condições de existência do capitalismo. Temos assim, um encadeamento de processos, que nos demonstra que tudo influi sobre tudo. É a lei da ação recíproca. É preciso entender que as coisas não são tão simples. O que constatamos é a existência, em todas as coisas, do encadeamento de processos que se produzem pela forca interna (o autodinamismo). Para a dialética insistimos nisso: nada está acabado. É necessário considerar as coisas como nunca tendo cena final. No fim de uma peça de teatro do mundo, começa o primeiro ato de uma outra. Para dizer a verdade ele já começa no ultimo da peça precedente. Devemos por tanto fixar que: a ciência, a natureza, a sociedade devem ser vistas como um encadeamento de processos, e o motor que trabalha para desenvolver tal encadeamento é o autodinamismo.

II – O desenvolvimento Histórico ou em espiral.

Se examinarmos um pouco mais de perto o processo que começamos a conhecer , vemos que a maçã é o resultado de uma serie de processos. De onde vem à maçã? Da árvore. De onde vem à árvore? Da maçã. Podemos portanto pensar que existe um circulo vicioso onde voltamos sempre ao mesmo ponto. Se considerássemos as coisas assim, não seria um processo e sim um circulo, (retorno ao eterno).
Mas vejamos como se põe o problema.

Eis uma maçã.
Esta se decompondo, dá origem a uma ou mais árvores.
cada arvore não dá uma maçã, mas varias.

Não voltamos, portanto, ao mesmo ponto de partida; voltamos à maçã, mas em um outro plano.
Do mesmo modo se partimos da arvore, teremos:

Uma árvore que dá
maçãs, e maçãs que darão
árvores.

Também aqui voltamos à árvore, mas num outro plano. O ponto de vista amplio-se.

Não temos pois um circulo, como as aparências pretendiam mostra mas um processo de desenvolvimento, a que chamaremos desenvolvimento histórico.
O mundo, a natureza a sociedade constituem um desenvolvimento que é histórico, e, em linguagem filosófica, se chama desenvolvimento em espiral.
Usamos a imagem da espiral para fixar as idéias. é uma comparação para ilustrar que as ciências evoluem segundo um processo circular, mas não voltam ao ponto de partida; voltam um pouco acima, num outro plano, e assim sucessivamente, o que dá uma espiral ascendente.
Não podemos esquecer que o motor que põe em movimento esta espiral é o autodinamismo.
Cabe a filosofia dar uma explicação do mundo e dos problemas mais gerais; é a missão em particular do materialismo dialético – reunir todas as descobertas particulares de cada ciência, para fazer a síntese, e dar assim, uma teoria que nos torne cada vez mais, como dizia Descartes, mestres e possuidores da natureza.

Terceira lei: a contradição

I – As coisas se transformam na sua contraria

A dialética nos ensina que as coisas não são eternas: tem um começo meio e fim, a morte.
Por que é que o que nasce é, portanto obrigado a morrer? Eis uma grande lei da dialética, que devemos confrontar.
Normalmente consideramos as coisas de um modo isolado, quando pesquisamos vida fazemos isso sem relacioná-la com qualquer outro fenômeno. Se examinarmos a morte, faremos da mesma maneira.
E acabaremos por concluir: ávida é a vida, e a morte é a morte. Não há nada de comum entre elas não se pode estar ao mesmo tempo vivo e morto, pois são coisas opostas, inteiramente opostas uma a outra. Correto?
Não. Examinamos as coisas desta maneira pois temos uma concepção metafísica do mundo, vemos as coisas apenas por um lado, não por que queremos ver as coisas assim, mas por que essa visão esta enraizada em nós pela nossa formação cristã.
Não podemos separar tão brutalmente a vida e a morte, uma vez que a experiência e a realidade nos mostram que a morte continua a vida, que a morte vem do vivo. E a vida também pode sair do morto, pois os elementos do corpo morto vão transformar-se para dar origem a outras vidas. A própria vida só é possível pela continua substituição de células que morrem por outras que nascem.
Se examinarmos a verdade e o erro, pensamos não há nada de comum entre eles. A verdade é a verdade, e um erro é um erro. Se dissermos: “Olha, chove!” acontece que, por vezes nem terminamos de completar a frase e já não chove. A frase que era exata tornou-se um erro. Vemos que a verdade se transforma em erro, será que o erro se transforma em verdade?
Na antiguidade, sobretudo no Egito, os homens imaginavam uma luta entre deuses para tentar explicar o por e o nascer do sol; era um erro quando se colocava a questão da luta dos deuses. Mas as ciências dão parcialmente razão a este raciocínio, dizendo que há realmente forças (físicas) que fazem mover o sol. Vemos, pois, que o erro não está oposto à verdade.
Observando de perto um ser vivo, notamos que este é composto de células que desaparecem e aparecem no mesmo lugar. Vivem e morrem sem cessar em um ser vivo, onde existe, portanto vida e morte.
Assim, as coisas não só se transformam umas nas outras, uma coisa não é apenas ela pura e simplesmente, mas também a sua contraria. Toda coisa é ao mesmo tempo, ela própria e sua contraria.
Assim no interior de cada coisa existem forças opostas, e estas lutam. Uma coisa é movida por forças que se chocam pois estas estão em direções opostas.
Uma tende para a afirmação (vida) e a outra para a negação (morte).

II – afirmação, negação e negação da negação.

É necessário fazer aqui uma distinção o que se chama contradição verbal – que significa responder Não quando alguém lhe diz Sim – a que acabamos de ver é a contradição dialética, isto é, nos fatos nas coisas.
Pensem em um ovo que posto e chocado por uma galinha: este ovo contém um germe, que a uma certa temperatura se desenvolve. Desenvolvendo-se dará um pintinho, desse modo o germe já é a negação do ovo. Veremos que no ovo existem duas forças; a que tende para que permaneça ovo, e a que tende para que se torne pintinho. O ovo está, portanto em desacordo consigo próprio, existe aqui a afirmação e a negação.
Uma coisa começa por ser uma afirmação que sai de uma negação. O pintinho é a afirmação resultante de negação do ovo.esta foi uma fase do processo.
A galinha por sua vez será a transformação do pintinho, haverá novamente uma luta para que o pintinho se torne galinha, e outra para que continue sendo pintinho.
A galinha será, portanto a negação do pintinho, que era a negação do ovo.
afirmação – ovo
negação – pintinho
negação da negação – galinha

afirmação – chamado também Tese.
negação – ou Antítese.
negação da negação – ou Síntese.

A destruição é uma negação. O pintinho é a negação do ovo, uma vez que nascendo, o destrói.
Assim a contradição verbal quer dizer não a contradição dialética quer dizer destruição.
Mas a destruição só é uma negação quando é dialética, quando for um produto da afirmação, se dela sair. O ovo é a afirmação, sendo chocado origina sua negação – torna-se pintinho, este simboliza a destruição ou a negação do ovo, rompendo, destruindo a casca.
No pintinho, vemos duas forcas adversas: pintinho e galinha; no decurso deste desenvolvimento do processo, a galinha porá ovos, nova negação da negação. Destes partirá então um novo encadeamento de processo.
Observamos a esse respeito, pelos exemplos, que regressamos sempre ao ponto de partida, mas num outro plano mais elevado, (desenvolvimento em espiral).

III – A unidade das contrarias.

Uma coisa não tem nada a ver com a sua contraria, é o que se pensa em geral. Mas para a dialética toda coisa é, ao mesmo tempo ela própria, e a sua contraria, unidade de contrarias, e é preciso entender bem isso.
Se tomarmos como exemplo o saber e a ignorância, concluiremos, metafisicamente: “um sábio não é ignorante, e um ignorante não é um sábio”. No entanto se analisarmos melhor, não poderemos colocá-las em oposição tão rígida. Primeiramente reinou a ignorância, depois é que com aprendizados vem o saber; então verificamos que a ignorância se torna o saber. Uma coisa que se torna sua contraria. Não existe o ignorante completo. Um sujeito por mais ignorante que seja sabe, pelo menos, reconhecer objetos, existe sempre um pouco de saber na ignorância. Mas, há ignorância no saber, pode existir o saber cem por cento? Não. Há sempre o que aprender, não há saber absoluto. Todos os saberes contem uma parte de ignorância.
Podemos retomar os exemplos que já vimos: a vida e a morte, a verdade e o erro; veríamos que em ambos, existe uma unidade de contrarias, isto é, que cada um contem, ao mesmo tempo, ela própria e sua contraria.
Uma coisa não só se transforma na sua contraria, ela é ao mesmo tempo ela própria e sua contraria.
É preciso compreender bem essa lei dialética que é a contradição, precisamos evitar querer aplicar em tudo, mecanicamente, por exemplo à negação da negação, devemos prestar muita atenção quando explicamos ou aplicamos a lei das contrarias, por que nossos conhecimentos são limitados, e isso pode nos deixar em situações críticas.
O que conta, é o principio: a dialética e as suas leis nos fazem estudar as coisas para descobrir sua evolução e as forcas, as contrarias, que determinam essa evolução. É preciso estudar a unidade das contrarias contida nas coisas, e esta equivale a dizer que uma afirmação não é nunca uma afirmação absoluta, uma vez que contém em si mesma, uma parte da negação. E isso é o essencial: é por conterem a sua própria negação que as coisas se transformam. A negação é o dissolvente, se não existissem as coisas não mudariam.
Há mudança, movimento, onde haja contradição. Em uma situação temos a afirmação à negação em conflito pois são contrarias, e quando aparece o terceiro termo, a negação da negação, aparece a solução, porque, nesse momento a razão da contradição é eliminada.
Para resumir, e como conclusão teórica, diremos: “As coisas mudam, porque encerram uma contradição interna, elas próprias, (afirmação), e suas contrarias, (negação) as contrarias estão em conflito, e as mudanças nascem desse conflito (negação da negação) assim a mudança (negação da negação) é a solução do conflito”.

Quarta lei: Transformação da qualidade e quantidade ou lei do progresso por saltos.

I – Exemplo político

Um exemplo político da lei do progresso por saltos: Um homem que se apresenta à candidatura a um mandato qualquer, precisa de 4500 votos para obter a maioria absoluta não é eleito com 4499 votos, continua a ser apenas um candidato, com um voto a mais a mudança pela quantidade de votos determina uma mudança de qualidade uma vez que o candidato que era, se torna um eleito.

II – Exemplo cientifico

Tomemos por exemplo à água. Partamos de 0º e façamos subir de 1º , 2º , 3º até 98º: a mudança é continua iremos ainda até 99º, mas a 100º, temos uma mudança brusca, a água transformasse em vapor.
Se invertermos o processo de 99º descermos até 1º, teremos novamente uma mudança continua, mas a 0o a água transformasse em gelo.
De 1º a 99º , permanece sempre água apenas a temperatura muda é apenas uma mudança quantitativa, quantidade de calor que tem a água. Quando se transforma em gelo ou vapor, temos uma mudança qualitativa, uma mudança de qualidade. Já não é água, é gelo ou vapor.
Quando uma coisa não muda de natureza, temos uma mudança quantitativa (no exemplo da água, uma mudança de grau de calor, mas não de qualidade).
Se muda a natureza, quando se torna outra coisa, a mudança é qualitativa.

TEXTO EXTRAÍDO DE  http://estudodialetico.blogspot.com

A Filosofia de Marx

Arquivado em: FILOSOFANDO — Valeria Di Pietro @ 9:07 am

Para Marx, não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência. O “ser social” do homem está ligado a sua existência, aos modos de produção a que está submetido e são os modos pelos quais os homens produzem os bens materiais necessários à vida humana que são os geradores das grandes mudanças históricas.
Os
homens sempre se organizaram para produzir bens. Os primitivos eram nômades, extraiam da natureza os meios para sua sobrevivência e quando a caça, os frutos, as raízes acabavam eles se transferiam para outra área. Enquanto o homem saia para caçar e colher a mulher permanecia emcasa”, foram elas que observaram que as plantas nasciam das sementes jogadas: era o início da agricultura e o fim da vida nômade. Mas para cultivar o solo e criar o gado o homem precisou tomar posse de um determinado território: era o fim do comunismo e o começo da propriedade privada. Mesmo sendo, nas sociedades primitivas, a propriedade dos meios de produção comum e não existindo ainda o dinheiro foi nesse período que começou a propriedade privada que junto com o desenvolvimento da agricultura propiciou o acúmulo do que era produzido por algumas famílias que detinham a propriedade, quem não tinha propriedade nem meios de produção trabalhava: era o começo da luta de classes e o fim da paz na terra.
Quando o esforço de produção tinha condições de gerar excedentes surgiu a escravidão. Agora uma minoria detém os meios de produção e por conseqüência é dona da força de trabalho e do produto do trabalho. A condição natural do homem não é a escravidão, então logo surgem também as revoltas. Para proteger os proprietários das revoltas dos escravos surgiu o Estado.
Quando Igreja Católica e Estado se unem surgem os servos. A Igreja pregava a obediência dos servos aos senhores e o respeito à autoridade real que provinha de Deus. Os donos das terras detinham o poder econômico e político, faziam as leis, é o Estado cumprindo o seu papel: defender os detentores dos meios de produção. Aos servos que não eram escravos, restava trabalhar nas terras do senhor tendo alguns dias para trabalhar para si, não podendo abandonar o feudo em que nascera.
A partir do séc. XIV começa a se constituir o capitalismo. A situação do escravo que se tornou servo que agora é assalariado, segundo Marx, é melhor, mas longe do que se pode chamar de liberdade. O modo de produção capitalista tem por finalidade obter lucro e aumentar o capital. A riqueza do proprietário advém não da venda do produto mas da mais-valia que é a diferença entre o que o operário produz e o que lhe é pago por essa produção.
A distribuição de consumo desiguais devido aos homens ocuparem postos ou lugares no mundo do trabalho é responsável pelo aparecimento das classes sociais.
Para Marx, a “base real” da igualdade e da liberdade é o processo do valor de troca. Toda mercadoria deve ser levada ao mercado para ser trocada. E para que essa mercadoria possa ser trocada é necessário uma relação entre proprietários que de livre e espontânea vontade (liberdade) e em condições de igualdade efetuem a troca. Essa relação é uma relação de compra e venda entre o proprietário do meio de produção e o trabalhador, proprietário da força de trabalho. A celebração de um contrato pressupõe capacidade jurídica, liberdade e igualdade. O assalariado tem uma ilusão de liberdade e igualdade quando assina o contrato de trabalho. Ele não tem a liberdade de vender ou não sua força de trabalho, ou vende por quanto o proprietário deseja pagar ou morre de fome. O contrato não lhe permite decidir sobre o que vai produzir e em que condições, não escolhe o horário, o ritmo de trabalho, não decido sobre salário, não projeta o que vai ser feito é comandado de fora, por forças estranhas a ele. Entrega, assim, a única coisa que lhe pertence: a força de trabalho; perde a posse de seu produto, perde-se a si mesmo, já não é mais a referência de si mesmo: é um alienado. Sua “livre vontade” não passa de coação legalizada. A igualdade e liberdade que legalmente existe não passa de ilusão criada pelo capitalismo que manipulou e manipula as leis, a política e todo o sistema.

O MITO DA CAVERNA

Arquivado em: FILOSOFANDO — Valeria Di Pietro @ 8:05 am

Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do Sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas sombras dos outros e de si mesmos porque estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam pro­jetadas como sombras nas paredes do fundo da caver­na. Do lado de fora, pessoas passam conversando e car­regando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais cujas sombras também são projeta­das na parede da caverna, como num teatro de fanto­ches. Os prisioneiros julgam que as sombras de coisas e pessoas, os sons de suas falas e as imagens que trans­portam nos ombros são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são seres vivos que se movem e falam.Os prisioneiros se comunicam, dando nome às coisas que julgam ver (sem vê-Ias realmente, pois estão na obs­curidade) e imaginam que o que escutam, e que não sabem que são sons vindos de fora, são as vozes das pró­prias sombras e não dos homens cujas imagens estão projetadas na parede; também imaginam que os sons produzidos pelos artefatos que esses homens carregam nos ombros são vozes de seres reais.Qual é, pois. a situação dessas pessoas aprisionadas? Tomam sombras por realidade, tanto as sombras das coi­sas e dos homens exteriores como as sombras dos artefa­tos fabricados por eles. Essa confusão, porém, não tem co­mo causa a natureza dos prisioneiros e sim as condições adversas em que se encontram. Que aconteceria se fossem libertados dessa condição de miséria?Um dos prisioneiros, inconformado com a condição em que se encontra, decide abandoná-Ia. Fabrica um instru­mento com o qual quebra os grilhões. De início, move a ca­beça, depois o corpo todo; a seguir, avança na direção do muro e o escala. Enfrentando os obstáculos de um cami­nho íngreme e difícil, sai da caverna. No primeiro instante, fica totalmente cego pela luminosidade do Sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Enche-se de dor por causa dos movimentos que seu corpo realiza pela primei­ra vez e pelo ofuscamento de seus olhos sob a luz externa, muito mais forte do que o fraco brilho do fogo que havia no interior da caverna. Sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Incredulidade porque será obri­gado a decidir onde sé encontra a realidade: no que vê ago­ra ou nas sombras em que sempre viveu. Deslumbramento (literalmente: ferido pela luz) porque seus olhos não con­seguem ver com nitidez as coisas iluminadas. Seu primei­ro impulso é o de retornar à caverna para livrar-se da dor e do espanto, atraído pela escuridão, que lhe parece mais acolhedora. Além disso, precisa aprender a ver e esse aprendizado é doloroso, fazendo-o desejar a caverna on­de tudo lhe é familiar e conhecido.Sentindo-se sem disposição para regressar à caverna por causa da rudeza do caminho, o prisioneiro permanece no exterior. Aos poucos, habitua-se à luz e começa a ver o mundo. Encanta-se, tem a felicidade de finalmente ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vi­da toda e que em sua prisão vira apenas sombras. Dora­vante, desejará ficar longe da caverna para sempre e luta­rá com todas as suas forças para jamais regressar a ela. No entanto, não pode evitar lastimar a sorte dos outros prisio­neiros e, por fim, toma a difícil decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e con­vencê-los a se libertarem também.Que lhe acontece nesse retorno? Os demais prisioneiros zombam dele, não acreditando em suas palavras e, se não conseguem silenciá-lo com suas caçoadas, tentam fa­zê-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna, certamente aca­bam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da ca­verna rumo à realidade.

O que é a caverna? O mundo de aparências em que vi­vemos. Que são as sombras projetadas no fundo? As coi­sas que percebemos. Que são os grilhões e as correntes? Nossos preconceitos e opiniões, nossa crença de que o que estamos percebendo é a realidade. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz do Sol? A luz da verdade. O quê é o mundo iluminado pelo sol da verdade? A realidade. Qual o instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele deseja libertar os ou­tros prisioneiros?

A Filosofia. (Marilena Chaui – Convite a Filosofia)

Julho 26, 2007

UTOPIA

Arquivado em: FILOSOFANDO — Valeria Di Pietro @ 3:18 pm

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar”.
Fernando Birri.

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