Pelo dever e pelo direito de sepultar os mortos – 2 de Novembro

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Pelo dever e pelo direito de sepultar os mortos

Essa talvez seja a maior prova da leniência, da falta de empenho do Estado em apurar os crimes da ditadura militar e da falta de respeito aos familiares dos mortos e desaparecidos – avalia José Luiz Del Roio, do CPMVJ – Comitê Paulista pela Memória Verdade e Justiça.

Ele se refere às mais de mil ossadas – muitas delas, presumivelmente, de opositores políticos dos militares – recolhidas na vala clandestina do cemitério de Perus há mais de vinte anos. Desde então, cinco presidentes se sucederam no Palácio do Planalto e cinco governadores nos Bandeirantes, mas os restos mortais permanecem insepultos, sem que nenhuma providência tenha sido tomada para identifica-los.

É em memória desses mortos que representantes de diversas crenças celebram um ofício religioso às dez e meia da manhã do sábado, Dia de Finados, em frente ao columbário do cemitério do Araçá, onde estão depositadas as ossadas.

O ato inter-religioso tem o apoio do – CLAI Conselho Latino Americano de Igrejas, do CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e terá a presença, entre os representantes das igrejas, do cardeal arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer. No CPMVJ o evento recebeu o título de “Pelo dever e pelo direito de sepultar os mortos”.

É para exigir do Estado que cumpra seu dever de identificar os mortos e entregar seus restos às famílias, para que possam exercer seu direito de sepultá-las – explica Anivaldo Padilha, associado de KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço, ele mesmo preso, torturado e exilado nos anos da ditadura.

Mas não é apenas pelos mortos do passado, é pelos do presente e para evitar os do futuro – acrescenta Del Roio, da Ação Libertadora Nacional, exilado, senador na Itália e viúvo da desaparecida política Isis Dias de Oliveira.

É a impunidade dos assassinatos sob o pretexto de “resistência à prisão” e“desaparecimentos” praticados pelos agentes da ditadura que estimula os desaparecimentos e assassinatos de hoje, como os do Amarildo, no Rio de Janeiro, ou do Douglas Rodrigues, em São Paulo – continua Padilha.

Para punir esses crimes do passado, basta cumprir a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que já condenou o Estado brasileiro pelos delitos cometidos durante o regime militar – esclarece Cesar Antonio Cordaro, advogado e ex-procurador-geral do Município de São Paulo, também do Comitê Paulista.

O ato inter-religioso em memória dos mortos e desaparecidos políticos terá a participação do Coro Luther King, regido pela maestrina Sira Milani, e do grupo de teatro do Instituto Religare, conduzido pela diretora Valéria di Pietro que encenará uma condensação da peça Antígone, de Sófocles, um clássico da tragédia grega que trata justamente do dever e do direito de sepultar os mortos.

O evento é patrocinado por duas centrais sindicais – CUT e UGT – e vários sindicatos, entre os quais os dos Bancários-SP, Jornalistas-SP, Químicos-SP e Sinsep e será transmitido em tempo real pela internet pelo Grupo de Apoio ao Protesto Popular, com o apoio do Serviço Funerário do Município de São Paulo.

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