HISTÓRIA DO TEATRO POR PERÍODOS

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534 a.C. –Instituição do teatro, na Grécia, pelo tirano Pisístrato, que cria concursos trágicos em Atenas. Três autores de tragédias ganham importância. Ésquilo, considerado o verdadeiro criador da tragédia, das quais a primeira de que se tem notícia é Os Persas. Sófocles, autor de Édipo Rei, e Eurípedes, de As Troianas. Na comédia destaca-se Aristófanes, que escreve Lisístrata.

364 a.C. – Tem início, em Roma, os ludi scaenici –jogos cênicos. Onde antes havia apenas espetáculos de circo (corridas de cavalo e lutas) passam a se apresentar num palco (scaena) músicos e dançarinos.

Séc.III a.C.-I a.C. – Introdução das representações teatrais em Roma (240 a.C.), com a encenação de tragédias e comédias gregas traduzidas para o latim. Logo a comédia se destaca. Baseadas no erro e no engano, ela é uma cópia da comédia nova do teatro grego (dos séculos IV a.C. e III a.C.). Destacam-se Plauto e Terêncio nas comédias e Sêneca nas tragédias.

Séculos X-XII – Nascimento do teatro medieval, com os primeiros dramas litúrgicos e as peças de Hrotsvitha, abadessa alemã que reelabora a dramaturgia clássica para temas edificantes. Escritos em latim, os dramas litúrgicos dos conventos passam para as igrejas. A partir do século XII, o teatro vai para a cidade, por iniciativa das confrarias e dos saltimbancos, que escrevem as peças. Convivem então textos profanos e sacros. O teatro profano, apresentado nas festas de Carnaval, representa farsas e sotties.

Século XVI – Na Itália surgem as primeiras experiências teatrais em língua nacional. A comédia passa a apresentar costumes cotidianos. O homem está no centro das preocupações. Na Espanha, em razão do grande desenvolvimento alcançado pela literatura e pelo teatro, os séculos XVI e XVII recebem a denominação de Siglo de Oro (Século de Ouro). Os dois grandes dramaturgos espanhóis do período são Lope de Veja e Calderón de la Barca, considerado o maior autor dramático espanhol da época.

1508-1509 – As primeiras comédias de Ariosto, La Cassaria e I Suppositi, marcam o nascimento do teatro erudito. Maquiavel, com A Mandrágora; Aretino, com A Cortesã; e Ruzzante, com La Moscheta, são ácidos comentaristas de seu tempo.

1540 – Começam a ser construídos, na Itália, os primeiros teatros, com a divisão palco-platéia como a conhecemos hoje, que utiliza a noção de perspectiva nos cenários.

1545 – Nasce a commedia dell’arte, quando, em Pádua, na Itália, oito homens assinam um contrato para formar uma companhia de atores. Sua origem estaria nos atos representados por mascates e charlatães para vender seus remédios e elixires. Os atores apresentam-se improvisando roteiros preestabelecidos (canevas) ao ar livre ou nas cortes. Em 1762, o gênero adquire status oficial, quando a trupe de Ricoboni se funde com a Opéra Comique, em Paris.

1558 – Início do chamado teatro elisabetano inglês durante o reinado de Elisabeth I. Surgem novas formas dramatúrgicas e cênicas. As primeiras salas de espetáculo são construídas e consolida-se o teatro profissional. Os autores mais notáveis são Christopher Marlowe, Ben Jonson e William Shakespeare, considerado o maior poeta dramático de todos os tempos. Suas peças, tradicionalmente divididas em obras históricas, comédias e tragédias, fazem não só a crônica de seu país como também descrevem com rara compreensão da condição humana as relações entre indivíduos e estes com a sociedade. Essa fase se encerra com o fechamento dos teatros por ordem do Parlamento em 1642.

TEATROS ELISABETANOS– São construídos de madeira, com formato circular ou poligonal e sem teto. O palco pode ter até três níveis para que várias cenas sejam representadas simultaneamente. Ele avança até o meio do edifício, de modo que o público o cerque por três lados e tenha boa visibilidade. Ao fundo, uma cortina modifica o ambiente. Aos espectadores mais abastados e aos representantes da nobreza são destinadas as galerias.

Século XVII – Sob proteção oficial, desenvolve-se na França intensa atividade teatral. A dramaturgia é baseada na verossimilhança e escrita em versos de métrica rigorosa e de acordo com o gosto da classe alta. Essas exigências cabem à tragédia; para a comédia elas são mais flexíveis. O teatro de Pierre Corneille, Jean Racine e Molière destaca-se por sua beleza literária e pelo alcance de sua temática. As comédias de Molière, além de fazer crítica feroz à burguesia ascendente, retratam com extrema perspicácia as características humanas.

Século XVIII – Com o declínio da tragédia clássica nasce o drama burguês, que se volta para o realismo e apela ao patético. Seus temas, contemporâneos, oscilam entre o social e o familiar. No gênero cômico cresce a “comédia lacrimosa” nascida no século anterior (1696), com O Último Estratagema do Amor, de Cibber. Na Alemanha floresce, entre 1770 e 1784, o movimento estético e literário denominado Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), cujas idéias definem o pré-romantismo, defendendo um estilo livre e individualista, movido pelo impulso irracionalista, em oposição às normas clássicas. Os autores que se destacam nesse século são Voltaire, Pierre Marivaux, Beaumarchais, Lessing, Goethe, Schiller e Kleist.

Século XIX – Alguns autores, com obras bem particulares, já mostram características do teatro moderno. Georg Büchner faz a articulação entre o romantismo e o realismo social. É também precursor do expressionismo. Ibsen funda o teatro norueguês e é o autor mais representado do século XIX e do início do XX. Seu teatro parte da observação da sociedade e de seus problemas. Strindberg atinge o ponto máximo de seu talento na peça Senhorita Júlia.

1827 – No prefácio de seu drama histórico Cromwell, Victor Hugo lança um manifesto pela liberdade do teatro, contra a rigidez da forma clássica, a favor de uma visão histórica e do emprego do grotesco como categoria estética. Paradoxalmente, o romantismo teatral, que se desenvolve na Alemanha em reação ao teatro francês, firma-se por meio deste após a encenação de Hernani, também de Victor Hugo. Com o drama romântico, o enredo passa ao primeiro plano. O verso não é mais obrigatório e o gênero se caracteriza por situações, sentimentos, grandes feitos romanescos, adultério e dilemas morais.

A BATALHA DE HERNANI – Durante a temporada da peça Hernani, de Victor Hugo, senhores de perucas oitocentistas e trajes sóbrios vaiam sem tréguas o espetáculo. Como defensores da obra estão os jovens “bárbaros shakespearianos”, cujos longos cabelos naturais e coletes de tons fortes contrastam com a elegância então reinante. Às vezes, a confusão é tanta que os atores não conseguem representar. Esse clima perdura de fevereiro a junho de 1830. O que está em jogo são duas escolas literárias: o classicismo e o romantismo. Este último sai fortalecido da batalha.

1831 – Com a montagem de Antony, primeiro drama de tema contemporâneo, Alexandre Dumas balança Paris. Escreve também peças históricas, das quais a mais conhecida é A Torre de Nesle. Seu filho, Alexandre Dumas Filho, adapta em 1849 seu romance A Dama das Camélias para o palco, porém a censura só permite que ele seja representado em 1852. Durante trinta anos, Dumas Filho será o autor mais representado na França.

1887 – A partir das idéias de Émile Zola, que preconiza o teatro que exiba “uma fatia de vida”, Antoine funda seu Théâtre Libre. Nele, o naturalismojump:GACJ busca reproduzir a realidade com grande fidelidade. Na encenação de Os Açougueiros, o sangue pinga das peças de carne. O Théâtre Libre marca também o advento da encenação moderna e da figura do diretor ou encenador.

também tem expressão no Théâtre de l’Oeuvre de Lugné-Poe (1869-1940), que se torna conhecido pela encenação de Ubu Rei (1896).

1895 – Publicação das reflexões e dos esboços do cenógrafo, encenador e teórico suíço Adolphe Appia sob o título de Encenação do Drama Wagneriano. A partir de suas experiências com a cenografia de óperas e da ginástica rítmica de Jacques-Dalcroze, Appia lança as idéias que norteiam todo o teatro do século XX: recusa da cenografia ilusionista (telão pintado), uso da luz como expressão dramática, valorização da presença física do ator no espaço tridimensional, por meio do uso de volumes e planos, escadas e praticáveis (elementos cenográficos móveis e tridimensionais como plataformas, estrados etc.), em zonas de luz e de sombra.

1898 – Constantin Stanislavski e Nemirovitch-Dantchenko fundam o Teatro de Arte de Moscou, onde acontecem revoluções cênicas fundamentais. Ator e encenador, Stanislavski cria um sistema de atuação no qual propõe uma interpretação natural e viva, que escape aos estereótipos e à mera imitação. Pela primeira vez se recorre ao psiquismo como fonte criadora. Sua teoria está reunida nos livros A Preparação do Ator eA Construção do Personagem. Seus ideais cênicos e interpretativos encontram maior expressão na dramaturgia de Tchecov, o mais perfeito retratista de uma Rússia em transição para um novo tempo.

Século XX – A figura do encenador detém hegemonia de um teatro até então dominado pelo dramaturgo, e Stanislavski influencia toda a cena européia. A dramaturgia chama a atenção em casos como os de Pirandello ou do Teatro do Absurdo. As montagens invadem espaços não convencionais, como galpões, fábricas e circos. A iluminação adquire novas funções, explorada até o limite pela tecnologia. A diversidade é a tônica do século.

1900 – Edward Gordon Craig torna-se encenador após trabalhar como ator. Cria a revista The Mask, que circula de 1908 a 1929. Nela publica os dois textos que contêm suas idéias básicas: Os Artistas de Teatro do Futuro e O Ator e a Supermarionete. Para ele, a cena arquitetônica deve substituir a pictórica, ou seja, o telão pintado no fundo do palco deve ser abandonado e o encenador deve recorrer a telas ou biombos articulados, de proporções variáveis, cuja mutação coincida com as metamorfoses do drama. Craig é considerado o grande modificador do espaço cênico.

1902 – O ator e encenador Meyerhold, discípulo de Stanislavski, funda a própria companhia. Afasta-se do realismo e, empreendendo constantes pesquisas espaciais e corporais – seus atores passam por intensa preparação física, dentro de um método que ele chamará de biomecânica –, passa pelo simbolismo e recorre a formas cênicas populares, como teatro de feira, circo, music-hall, cinema e pantomima para conquistar a desejada teatralidade. Em suas montagens, a linguagem cênica é tão importante quanto a narrativa. O exemplo mais acabado disso é sua montagem de O Inspetor Geral, de Gogol.

1907 – O austríaco Oskar Kokoschka escreve Assassino a Esperança das Mulheres, peça considerada, juntamente com A Estrada de Damasco, de Strindberg, e O Despertar da Primavera e A Caixa de Pandora, de Wedekind, obra precursora do expressionismo. O drama expressionista desenvolve-se sobretudo na Alemanha, até 1922. Ele se define por oposição ao naturalismo e usa visões simbólicas e abstratas para expressar a angústia e o êxtase. A encenação trabalha a deformação no cenário, no jogo de luz e sombra da iluminação e no corpo do ator, que deve traduzir os sentimentos. O mais famoso encenador dessa corrente é Leopold Jessner, e dentre os dramaturgos estão Georg Kaiser e Ernst Toller.

1913 – Abertura do teatro Vieux Colombier, em Paris, por Jacques Copeau. A partir de contatos com Craig, Dalcroze e Appia, Copeau empreende uma renovação cênica baseada na valorização do texto e na nudez da cena. Zelando pela preparação do ator, ele cria uma companhia regida tanto pela estética quanto pela ética, o que leva a uma vida comunitária que passa por intenso trabalho corporal, de improvisação e estudo de textos. Suas idéias influenciam por muito tempo o teatro francês, desde o famoso Cartel, constituído por seus discípulos Gaston Baty, Charles Dullin, Louis Jouvet e Georges Pitöeff, até o Théâtre National Populaire (TNP), de Jean Vilar.

1916 – Eugene O’Neill, autor norte-americano de origem irlandesa, é encenado pela primeira vez pelo Provincetown Player (Na Estrada de Cardiff e Sede). Classificado simultaneamente como um dramaturgo realista, naturalista, expressionista e simbolista, pelos diversos aspectos de sua obra, O’Neill abre caminho para a expressão lírica dos homens em luta contra seu destino e se torna o grande clássico do teatro dos Estados Unidos (EUA). Somente dois autores norte-americanos alcançam tanta repercussão quanto ele: Tennessee Williams e Arthur Miller.

1920-1921 – O alemão Erwin Piscator funda o teatro proletário para difundir a idéia da luta de classes, colocando o teatro a serviço do movimento revolucionário. Seguidor de Meyerhold, paulatinamente modifica a cena até chegar às construções geométricas, em plataformas, multiplicando os planos de ação e pontuando a representação com projeções cinematográficas e cartazes. É precursor de Brecht.

1922 – Simultaneamente à estréia em Munique de Tambores na Noite, é publicada Baal, as duas primeiras peças de Bertolt Brecht. Teórico, poeta, dramaturgo e encenador, Brecht adere ao marxismo e cria o teatro épico, que se opõe à concepção dramática (aristotélica) de teatro. A narrativa não é mais linear. O recurso do distanciamento, isto é, do não envolvimento do ator com o personagem, é usado para a conscientização política. Esse distanciamento é reforçado pelo uso de cartazes, projeções e canções.

1932 – O primeiro manifesto do Teatro da Crueldade é lançado por Antonin Artaud. Ele reivindica o uso do corpo, do grito e do encantamento para despertar as “forças subterrâneas” do homem. Este e seus principais escritos sobre teatro são reunidos, em 1938, em O Teatro e Seu Duplo. Artaud pretende um teatro concebido como ritual, com perspectiva metafísica. Para ele, o espetáculo precisa ser total e não deve haver a separação palco-platéia. Apesar de malsucedido em suas tentativas de encenação, em sua época o teatro de Artaud influencia toda uma geração a partir de 1960. Suas Obras Completas são publicadas em 1956.

1944 – Tem início a carreira do encenador inglês Peter Brook, com Doutor Fausto, de Marlowe. Brook monta um repertório que vai de Shakespeare a comédias ligeiras e trabalha com grandes atores como sir John Gielguld, Laurence Olivier e Paul Scofield. Em 1955 circula pela Europa com Titus Andronicus. Em 1962, sua montagem de O Rei Lear marca o início do que ele chama de “espaço vazio”: ausência de cenário e concentração do espetáculo no ator.

1947 – Elia Kazan, Cheryl Crawford e Robert Lewis fundam o Actor’s Studio, em Nova York. Em 1951, Lee Strasberg passa a dirigi-lo, após lecionar durante dois anos. Strasberg aplica nessa escola seu método inspirado livremente em Stanislavski. Muitos grandes atores americanos se formam aí: James Dean, Marlon Brando, Paul Newman, Elizabeth Taylor, Dustin Hoffman, Robert de Niro.

1947 – Giorgio Strehler e Paolo Grassi criam o Piccolo Teatro de Milão, que se torna o mais importante teatro da Itália. Considerado o encenador do grande espetáculo, Strehler dirige mais de 200 encenações dramáticas e mais de 50 líricas. Sua montagem mais marcante é Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Goldoni. Durante mais de 40 anos, Arlequim passa por seis versões, a última em 1987.

1950 – Estréia de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, considerada a peça inaugural do teatro do absurdo, cuja origem está no existencialismo e no mal-estar do pós-guerra. Os personagens do teatro do absurdo são seres desenraizados e imóveis, representantes de uma humanidade em escombros. Além de Ionesco, são enquadrados no movimento Samuel Beckett, considerado um dos maiores dramaturgos do século XX, Arthur Adamov, Jean Genet, Harold Pinter, Edward Albee e Arrabal.

1958 – O Living Theatre, fundado em 1947 por Judith Malina e Julian Beck, torna-se o centro da vanguarda cultural nova-iorquina. Um dos mais importantes grupos ligados à criação coletiva, faz uma série de turnês pela Europa a partir de 1961. O grupo, que se inspira em Artaud e vive em comunidade, submete-se a intenso treinamento físico. Nos espetáculos não há cenários nem figurinos e os atores criam um ritual de iniciação que deve envolver o espectador. O Living é o mais legítimo representante da contracultura no teatro e seus espetáculos mais importantes são: The Connection (1959), de J. Gelber, The Brig (1963), Frankenstein (1968), baseado em Mary Shelley, Antígona (1967), adaptado de Brecht, e Paradise Now (1968). Em 1970, o grupo encerra sua carreira, mas seus líderes continuam apresentando espetáculos em todo o mundo.

1962 – Fundação do Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski, que, em 1965, passa a ser, oficialmente, o Instituto de Pesquisa para a Interpretação do Ator, em Wróclaw, Polônia. Suas pesquisas enxergam o ator como foco criativo e derivam para o teatro pobre, no qual o que interessa é uma nova relação entre ator e espectador que crie uma experiência compartilhada. Das montagens vale citar Caim e Doutor Fausto (1960), Akropolis (1962), O Príncipe Constante (1965 e 1969) e Apocalypsis cum Figuris (1968-1969). Os atores fazem um treinamento que visa não torná-los hábeis mas sim livrá-los de estereótipos. Com base nisso, o ator elabora seu próprio repertório de signos, que Grotowski denomina “partitura”. Nos anos 70 faz experiências de “cultura ativa”, em que o ator não mais se distingue do espectador e a noção de processo substitui a de representação.

1964 – Eugenio Barba, diretor italiano discípulo de Grotowski, cria o Odin Teatrat, em Oslo. Em 1966, se transfere para Holstebro, na Dinamarca. Além da criação de espetáculos, desenvolve intensa pesquisa sobre a arte do ator, a pedagogia e a comunicação teatrais. O trabalho dá grande ênfase ao treinamento físico, que varia dos exercícios de Grotowski a técnicas orientais e improvisação.

1966 – Peter Brook monta Marat-Sade, de Peter Weiss. Neste mesmo ano, na linha do teatro-documentário, realiza US, sobre a Guerra do Vietnã. A partir dessa época, seu trabalho se centra no corpo, na voz do ator e na improvisação.

1969 – Estréia The Life and Times of Sigmund Freud, de Robert (Bob) Wilson, primeira encenação de porte do diretor. Bob Wilson é criador de uma linguagem teatral inédita, feita de imagens ou visões nas quais as palavras se tornam massa sonora. Influenciado pelo trabalho de um jovem surdo-mudo, Raymond Andrews, monta o espetáculo O Olhar do Surdo (1971). Em 1972, no Festival de Shiraz, Irã, apresenta Ka Mountain Gardenia Terrace, nas montanhas, ao ar livre. O espetáculo, que tem a duração de uma semana, conta com a participação do jovem autista Christopher Knowles. Em 1974 monta Uma Carta para a Rainha Vitória.

CRIAÇÃO COLETIVA– Nos anos 60, trupes de jovens atores põem em questão o modo de produção até então utilizado e revêem a distribuição de tarefas e responsabilidades propondo a criação coletiva do espetáculo teatral. As expressões maiores desse processo são o Living Theatre e o Théâtre du Soleil. Também o discurso é refeito, passando a expressar o universo e os anseios desses artistas, que refletem as grandes mudanças pelas quais o mundo passa. Essa é a época da criação da pílula anticoncepcional, da revolução sexual, dos movimentos de minorias. Politicamente, a Guerra Fria divide os países em dois blocos antagônicos.

1970 – Estréia 1789, marco da criação coletiva do Théâtre du Soleil, grupo criado em 1964 e dirigido pela francesa Ariane Mnouchkine. As primeiras montagens do grupo são Os Pequenos Burgueses (1964), de Gorki, Capitaine Fracasse (1965), A Cozinha (1967), de A. Wesker, Sonhos de uma Noite de Verão (1968) e Les Clowns (1969), fase em que empreende pesquisa na linha do teatro popular. Após a filmagem de Molière (1976-1977), o grupo passa por uma crise e abandona a criação coletiva. Mnouchkine assume o controle dos espetáculos.

1970 – Peter Brook monta seu último espetáculo na Inglaterra: Sonho de uma Noite de Verão, com técnicas circenses e da Ópera de Pequim. Nesse mesmo ano se instala em Paris, fundando o Centro Internacional de Pesquisas Teatrais (Cirt). Em 1974 inaugura o teatro Bouffes du Nord, em Paris, antigo galpão que passa a sediar o Cirt. Brook monta aí os antológicos Timon de Atenas (1974), Os Iks (1975), Ubu aux Bouffes (1977), A Conferência dos Pássaros (1979).

1970 – Peter Stein e seu grupo assumem, a convite do governo de Berlim Ocidental, o teatro Schaubühne, em que o coletivo chega à gestão da casa de espetáculos. Todos os colaboradores tomam todas as decisões sobre as questões administrativas e artísticas. Das assembléias participam do diretor ao mais simples técnico. Stein se demite do cargo de diretor artístico do Schaubühne em 1986, mas sempre retorna ao teatro como diretor convidado. Suas principais montagens nesse teatro são: A Mãe (1970), de Brecht-Gorki; Peer Gynt (1971), de Ibsen; Os Veranistas (1974), de Gorki; Como Quiserdes (1977), de Shakespeare; Trilogia do Reencontro (1978), de Stein/Botho Strauss; Os Negros (1984), de Genet; Oréstia (1980), de Ésquilo; Fedra (1987); e Roberto Zucco (1990), de Koltès.

1970-1979 – O grupo de Eugenio Barba se desloca bastante, apresentando seus espetáculos em diferentes países. Troca experiências com outras culturas, como pequenas aldeias européias e tribos indígenas da América do Sul. Esse trabalho de teatro antropológico leva à fundação da Escola Internacional de Antropologia Teatral (Ista) (1979), que promove encontros no mundo todo.

1976 – A montagem de Einstein in the Beach, criado juntamente com a coreógrafa Lucinda Childs, marca o início da colaboração entre o encenador Bob Wilson e o músico Philip Glass. A música minimalista integra perfeitamente seus espetáculos, em que a repetição faz parte da linguagem. A simultaneidade de ações também marca as encenações de Wilson, como em I Was Sitting in My Patio…, de 1977. Em 1979 cria, com a companhia de Peter Stein, na Schaubühne de Berlim, Morte, Destruição e Detroit.

1978-1982 – Jerzy Grotowski evolui para o que chama de “teatro das fontes”. Trabalha com base nas culturas primitivas e de tradições ancestrais.

1982 – A montagem da ópera Medea mostra Bob Wilson mais próximo de uma narrativa mais tradicional. Nessa linha estão The Civil Wars (1983), Alcestis, de Eurípedes, Hamlet-Machine (1987), de Heiner Müller. Nos anos 90, seu trabalho segue essa mesma linha com montagens como Orlando, de Virgina Woolf, Hanjo Hagoromo, Hamlet, a Monologue e A Doença da Morte, de Marguerite Duras.

1985 – O Mahabharata é montado por Peter Brook e apresentado numa pedreira abandonada no Festival de Avignon, na França. Sua concepção de teatro, essencial e econômica, encontra aí a expressão máxima. Posteriormente, ele transforma Mahabharata em filme. Seu trabalho no Cirt reúne atores do mundo inteiro.

1985 – O Théâtre du Soleil monta os espetáculos A História Terrível porém Inacabada do Príncipe Norodom Sihanuk e, dois anos mais tarde, Indiade, ambos escritos em colaboração com Hélène Cixous. Neles abordam as grandes tragédias do mundo contemporâneo. As mais recentes montagens do grupo, a trilogia grega denominada Os Átridas (Ifigênia em Áulis, As Coéforas, As Eumênidas), de Ésquilo, e O Tartufo, de Molière, fazem uma reflexão sobre a intolerância. Desses espetáculos, já na década de 90, participa a brasileira Juliana Carneiro da Cunha.

1986 – Jerzy Grotowski passa a dirigir, em Pontedera, Itália, um centro de experimentação e pesquisa. Lá recebe para aprendizado profissionais do mundo todo.

1992– O diretor irlandês Declan Donnellan dirige Angels in America, um épico sobre a Aids, escrito pelo americano Tony Kushner. A peça de sete horas de duração foi dividida em duas partes: Millennium Approaches e Perestroika. Também desenvolvem temáticas sobre a violência nas grandes cidades o canadense Brad Fraser (Unidentified Human Remains) e o inglês Jim Cartwright (The Rise and Fall of Little Voice).

1993 – Com base em uma obra do neurologista Olivier Sacks, Peter Brook monta o espetáculo L’homme Qui…eu mais recente trabalho é Je Suis un Phénomène, de sua autoria e de M. Hélène Estienne, montado em 1998.

1995– A peça Art, de Yasmina Reza, francesa nascida no Irã, alcança projeção mundial e recebe prêmios em Paris, Londres e Nova York. Por meio da conversa entre três amigos, a autora trata da disputa de poder no mundo masculino. A peça é montada no Brasil em 1998, com direção de Mauro Rasi.

1996 – Martin McDonagh é considerado um dos novos autores da dramaturgia inglesa após a montagem da peça The Beauty Queen of Leenane, em Londres. Filho de irlandeses, McDonagh escreve comédias realistas, cheias de ironia e violência. A crítica social também norteia o trabalho do inglês Mark Ravenhill, autor de Shopping and Fucking.

1998 – Bob Wilson cria, em parceria com Philip Glass, Monsters of Grace, espetáculo multimídia que junta filme, música, imagem e texto. Com a utilização de tecnologia digital, as imagens são geradas em computador e projetadas em telão de 70 mm.

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